Os fetiches mais comuns entre brasileiros: conheça os principais interesses
Pés, roupas, personagens e troca de controle: conheça interesses presentes no Brasil e entenda suas diferenças sem estereótipos.
Uma roupa, uma voz, um jeito de conduzir a conversa. Às vezes, o interesse está em um detalhe. Em outras, na situação inteira: assumir um papel diferente, entregar parte do controle ou sair do roteiro habitual.
Quem busca os fetiches mais comuns entre brasileiros geralmente quer conhecer essas possibilidades, mas também entender se outras pessoas compartilham algo que parecia muito particular.
Pesquisas brasileiras registram interesses por características do corpo, dinâmicas de intensidade e situações envolvendo observação ou diferentes participantes. Entretanto, os estudos usam definições e amostras distintas. Eles não permitem transformar todos esses interesses em um ranking único e atual do país.
A lista abaixo apresenta temas conhecidos nesse universo, sem ordem de popularidade. Alguns são fetiches; outros são fantasias, práticas ou dinâmicas que costumam receber esse nome na conversa cotidiana.
1. Pés e calçados
O interesse por pés também é conhecido como podolatria. Pode se concentrar na aparência, nos movimentos, no cuidado ou na associação com determinados calçados.
Para algumas pessoas, sapatos e meias fazem parte desse interesse. Para outras, são preferências separadas. Não existe um significado único: o mesmo elemento pode estar ligado à estética, à atenção recebida ou a uma dinâmica combinada.
Esse interesse tem presença documentada em comunidades brasileiras, inclusive em pesquisas sobre interações nas redes sociais. Isso demonstra sua existência e organização, mas não estabelece sua posição num ranking nacional.
2. Roupas, lingerie e materiais
Aqui entram interesses por peças específicas, tecidos, couro, látex, meias ou determinadas combinações visuais.
O destaque pode estar na textura, no corte, no contraste ou no significado atribuído à roupa. Uma peça pode representar elegância, confiança, vulnerabilidade ou autoridade.
Gostar de uma roupa, porém, não é automaticamente ter um fetiche. Para algumas pessoas, ela é um detalhe agradável. Para outras, ocupa um lugar recorrente e central na experiência.
Também não é uma preferência exclusiva de quem observa. Vestir determinada peça pode ser tão importante quanto vê-la em outra pessoa.
3. Uniformes e personagens
Uniformes podem reunir aparência e narrativa. O interesse pode estar na roupa ou no papel que ela sugere.
Quando a situação envolve representar personagens, costuma aparecer o termo roleplay. Pessoas adultas combinam uma história e assumem papéis diferentes dos cotidianos.
Isso pode ser simples: interpretar um primeiro encontro entre desconhecidos ou criar uma situação fictícia com regras próprias.
É importante separar representação e realidade. Uma fantasia com autoridade não autoriza alguém a usar uma posição profissional real para pressionar outra pessoa.
4. Dominação e submissão
Nesse caso, o centro do interesse é a troca de autoridade dentro de um acordo.
Uma pessoa pode gostar de orientar, organizar e conduzir. Outra pode preferir receber instruções ou deixar certas decisões com alguém em quem confia.
Isso não informa como elas se comportam no restante da vida. Uma pessoa que lidera no trabalho pode gostar de ser conduzida em momentos específicos. Alguém reservado pode encontrar satisfação em assumir a condução.
Dominação não pertence aos homens, e submissão não pertence às mulheres. Os papéis dependem das preferências e dos acordos, não do gênero.
Você encontra essas diferenças no guia sobre papéis no BDSM.
5. Restrição de movimentos e amarração
O interesse conhecido como bondage pode envolver restrição de movimentos, estética, concentração ou confiança.
Para algumas pessoas, o principal é deixar de conduzir a experiência. Para outras, é o desenho das cordas ou a atenção dedicada ao processo.
Shibari é um termo associado à amarração de tradição japonesa, mas não é sinônimo de qualquer restrição de movimentos.
Esse interesse também não implica desejo de submissão em todos os contextos. E a aparência simples de uma atividade não elimina seus riscos: práticas com restrição exigem conhecimento e cuidados próprios.
6. Voz, palavras e instruções
Às vezes, o que desperta interesse é a maneira de falar: o tom de voz, uma orientação clara, um elogio ou uma frase previamente combinada.
Isso pode fazer parte de uma dinâmica de autoridade ou existir sem ela. Há quem goste de firmeza; outras pessoas preferem incentivo, atenção ou uma conversa que construa expectativa.
As palavras têm efeitos diferentes para cada pessoa. Uma expressão agradável para alguém pode ser desconfortável para outra.
Por isso, a intensidade verbal também precisa de acordo. Gostar de instruções não significa aceitar ofensas ou qualquer maneira de ser tratado.
7. Jogos de sensação
Esse grupo reúne interesses em experiências sensoriais: texturas, ritmos, contrastes e, em alguns casos, impactos consensuais.
O foco pode estar em proporcionar ou receber uma sensação, sem estabelecer uma relação de autoridade. É uma das razões pelas quais top e bottom não são sinônimos de dominante e submisso.
Termos como spanking aparecem nesse contexto. Eles nomeiam uma atividade, mas não esclarecem intensidade, experiência ou disponibilidade.
Uma pesquisa brasileira publicada em 2025 encontrou relatos frequentes de fantasias relacionadas a proporcionar ou receber intensidade em sua amostra. Como o recrutamento foi online e por conveniência, os resultados não devem ser tratados como percentuais de toda a população.
8. Observar e ser observado
Algumas fantasias envolvem assistir a uma experiência ou receber a atenção de alguém enquanto ela acontece.
O ponto indispensável é que todas as pessoas envolvidas saibam e concordem, inclusive quem observa e quem é observado.
Isso é diferente de olhar escondido, registrar sem autorização ou envolver pessoas que não escolheram participar. Uma fantasia não cria permissão para ultrapassar a privacidade de ninguém.
Também é importante distinguir presença de gravação. Concordar em ser observado não significa aceitar fotos, vídeos ou compartilhamento.
9. Experiências com mais de dois participantes
Fantasias com três pessoas ou diferentes configurações de encontro aparecem em levantamentos brasileiros. Uma pesquisa Datafolha divulgada em 2010 incluiu essas possibilidades entre as situações investigadas. Por ser antiga, ela não descreve automaticamente as preferências atuais.
O interesse pode estar na novidade, na atenção compartilhada ou na combinação entre pessoas. Não significa, necessariamente, querer um relacionamento aberto.
Fantasiar, desejar um encontro pontual e construir uma relação com múltiplos vínculos são escolhas diferentes.
Também não basta que um casal concorde entre si. Cada participante tem preferências, limites e liberdade para recusar.
10. Troca de casais e outras configurações consensuais
A troca de casais, frequentemente chamada de swing, descreve uma possibilidade de interação entre adultos que fizeram acordos próprios.
Ela não é sinônimo de poliamor, que diz respeito à possibilidade de múltiplos vínculos afetivos consensuais. Também não corresponde a toda forma de não monogamia.
Essas configurações costumam aparecer em listas de “fetiches”, mas são mais bem entendidas como experiências ou formas de organizar relações.
O nome não resolve os detalhes: expectativas, participação, privacidade e limites precisam ser conversados.
11. Cuckold e hotwife
Cuckold e hotwife descrevem interesses que podem envolver a participação de outra pessoa em uma relação, com conhecimento e acordo entre os envolvidos. Os termos se aproximam, mas destacam aspectos diferentes.
Cuckold costuma colocar em primeiro plano a experiência de quem se interessa por imaginar, saber ou acompanhar a parceira em um encontro com outra pessoa. Para alguns, o interesse está na observação ou na comparação; para outros, em uma dinâmica de submissão ou em sentimentos de ciúme explorados dentro de um acordo. Nenhum desses elementos é obrigatório.
Hotwife costuma destacar a autonomia da mulher e o interesse compartilhado pelo casal em experiências dela com outras pessoas. Não exige submissão, comparação ou desvalorização do parceiro.
Uma mesma relação pode usar os dois termos ou apenas um. Também pode compartilhar parte dessas preferências sem adotar nenhum rótulo.
Embora essas palavras sejam frequentemente usadas para configurações entre uma mulher e seu parceiro, o gênero não determina quem pode se interessar por dinâmicas semelhantes.
Fantasiar sobre isso não significa desejar realizar. E concordar com uma possibilidade não significa aceitar qualquer pessoa, situação ou condição.
Se houver vontade de passar da conversa à experiência, é importante esclarecer expectativas, privacidade, cuidados de saúde e como lidar com sentimentos que podem mudar. A terceira pessoa também precisa participar dos acordos, com autonomia e limites próprios.
Essas dinâmicas não são sinônimo de traição: o que as caracteriza, neste contexto, é o conhecimento e o consentimento. Também não devem ser apresentadas como solução pronta para conflitos do casal.
12. Expressão por roupas e apresentação pessoal
Algumas pessoas gostam de explorar roupas e estilos tradicionalmente associados a outro gênero. O termo cross-dressing aparece nessas conversas.
Essa expressão pode ter significados diferentes: estética, liberdade, interpretação de personagem ou interesse íntimo.
Não se deve presumir identidade de gênero, orientação ou motivação a partir da roupa. Também não é correto reduzir a identidade de uma pessoa a uma fantasia.
A maneira como ela própria descreve a experiência importa mais do que a interpretação de quem observa.
Existem fetiches masculinos e femininos?
É possível estudar diferenças entre grupos, mas isso não transforma preferências em características obrigatórias de homens ou mulheres.
Também é necessário perguntar como a pesquisa foi feita. Uma enquete de uma comunidade, buscas na internet e uma pesquisa populacional medem coisas diferentes. Relatar uma fantasia também não é o mesmo que realizá-la.
Não há base suficiente para atribuir cada item desta lista a um gênero ou construir dois rankings nacionais confiáveis.
Na prática, homens podem gostar de se entregar e receber cuidado. Mulheres podem gostar de conduzir, observar ou explorar materiais específicos. Pessoas de qualquer gênero podem compartilhar um interesse e atribuir sentidos diferentes a ele.
Conhecer o gênero de alguém não substitui perguntar o que essa pessoa deseja.
Fetiche, fantasia e prática são coisas diferentes
Um fetiche costuma destacar um elemento específico. Uma fantasia pode envolver uma situação inteira. Uma prática é algo que a pessoa escolhe realizar.
Essas possibilidades podem se encontrar, mas não precisam.
Você pode imaginar uma situação sem querer vivê-la. Pode ter curiosidade sem estar pronto para experimentar. Pode gostar de uma atividade apenas com determinada pessoa.
A distinção está aprofundada no guia sobre kink, fetiche e BDSM.
Como conversar sobre um interesse?
Comece descrevendo o que te chama atenção, sem transformar a conversa em pedido de participação.
“Tenho curiosidade sobre isso e queria entender como você vê” deixa espaço para uma resposta diferente da sua.
Depois, se houver interesse mútuo, conversem sobre expectativas, limites e condições. Concordar em ouvir não significa concordar em realizar.
Esse cuidado vale para todos os temas da lista e está explicado no guia sobre consentimento, limites e palavra de segurança.
Se você tiver dificuldades para expor seus fetiches ao seu parceiro(a), talvez o teste para casais possa ajudar. É um questionário onde cada um responde separado e o resultado vai mostrar apenas aquilo que é comum entre o casal, ou seja, que abmos curtam. Você não precisa ficar com medo ou vergonha de responder, pois se a outra pessoa responder que não gosta de determinado fetiche/fantasia, ela não vai saber o que vpcê respondeu.
Conhecer interesses comuns pode ajudar a encontrar palavras para o que você sente. A frequência de uma preferência, porém, não decide o que deve fazer parte da sua vida.